Pular para o conteúdo principal

A Lição do Lava-pés: Deixar-se Amar para Poder Servir.

 A Lição do Lava-pés: Deixar-se Amar para Poder Servir

Família de fé! Paz e bem, 

Seja muito bem-vindo a mais um momento especial de reflexão e encontro com a Palavra de Deus

Evangelho do Dia: A nossa reflexão de hoje é extraída do Evangelho de João, capítulo 13, versículos 3 a 9.

Jesus, sabendo que o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e voltava para Deus,

levantou-se da mesa, depôs as vestes, e, pegando numa toalha, cingiu-se com ela.

Depois lançou água numa bacia, e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los, com a toalha com que estava cingido.

Chegou, pois, a Simão Pedro. Pedro disse-lhe: "Senhor, tu lavares-me os pés?"

Jesus respondeu-lhe: "O que eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois."

Pedro disse-lhe: "Não me lavarás jamais os pés." Jesus respondeu-lhe: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo."

Simão Pedro disse-lhe: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça."


Reflexão: O texto que meditamos hoje nos coloca no coração da intimidade de Jesus com seus discípulos, momentos antes de sua paixão. Jesus, plenamente consciente de sua autoridade divina – sabendo que "o Pai tinha posto em suas mãos todas as coisas" – escolhe, paradoxalmente, o gesto mais humilde: o serviço de um escravo. Ele se levanta, tira o manto, cinge-se com uma toalha e começa a lavar os pés dos seus amigos.

Este ato é uma profunda lição. A grandeza de Jesus não o afasta de nós; pelo contrário, sua grandeza se manifesta no serviço radical e no amor que se rebaixa.

A reação de Simão Pedro é a nossa reação. É a reação da lógica humana: "Senhor, tu vais lavar-me os pés?". Pedro ama Jesus, o reconhece como Mestre, e por isso mesmo, não pode aceitar vê-lo naquela posição. Para Pedro, é uma inversão inaceitável de papéis.

Mas Jesus é firme: "O que eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois." E mais incisivo ainda: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo."

Aqui está o centro da nossa meditação. "Ter parte" com Jesus não é apenas segui-lo, mas é, antes de tudo, deixar-se salvar por ele. Deixar-se purificar. Muitas vezes, assim como Pedro, nosso orgulho nos impede de receber. Queremos "dar" a Deus, mostrar nosso valor, nosso serviço, nossas virtudes. Mas Jesus nos diz que, antes de qualquer coisa, precisamos nos reconhecer necessitados de sua graça, de sua purificação.

Lavar os pés era um gesto de hospitalidade, mas aqui, simboliza a purificação interior que só Jesus pode realizar. Se não permitirmos que Jesus lave o nosso "pó do caminho" – nossos pecados, nosso orgulho, nossa autossuficiência – não podemos ter "parte" em sua vida divina, em sua herança.

Pedro, em sua impulsividade, vai de um extremo ao outro: "Senhor, não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça!". Ele ainda não compreende totalmente, mas seu coração agora está aberto: ele quer tudo o que Jesus puder lhe dar.

Hoje, a lição para nós é dupla: primeiro, a humildade de aceitar. Aceitar que precisamos de Jesus, que precisamos ser "lavados" por seu perdão e sua misericórdia todos os dias. Segundo, a lição do exemplo. Se o Mestre e Senhor se fez servo, também nós somos chamados a nos ajoelhar diante de nossos irmãos, não por obrigação, mas por amor, servindo-os em suas necessidades com a mesma humildade radical de Cristo.



CLICK NA IMAGEM PARA OUVIR EM PODCAST.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Luz que Chama e a Rede que Liberta

  A Luz que Chama e a Rede que Liberta Evangelho do Dia: Mateus 4, 12-23 Tendo (Jesus) ouvido que João fora preso, retirou-se para a Galileia. Depois, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, situada junto do mar, nos confins de Zabulon e Neftali, cumprindo-se o que tinha sido anunciado pelo profeta Isaías, quando disse ( Is 8,23, Is. 9, 1 ); Terra de Zabulon e terra de Neftali, terra que confina com o mar, pais além do Jordão, Galileia dos gentios! Este povo, que jazia nas trevas, viu uma grande luz; e uma luz levantou-se para os que jaziam na sombra da morte. Desde então, começou Jesus a pregar: "Fazei penitência, porque está próximo o reino dos céus." Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e, André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. "Segui-me, lhes disse, e eu vos farei pescadores de homens." E eles, imediatamente, deixadas as redes, o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, f...

MINHA CRUZ E A SUA VONTADE. Memórias de uma luta íntima pela santidade e o amor de Deus

Minha Cruz e Sua Vontade Memórias de uma luta íntima pela santidade e o amor de Deus Quando a dor encontra sentido aos pés da Cruz Há livros que informam. Outros que ensinam.      E há aqueles que caminham conosco — silenciosamente — pelas noites mais longas da alma.      Minha Cruz e Sua Vontade nasce exatamente desse lugar: do encontro entre a fragilidade humana e a misericórdia de Deus. Não é uma obra escrita para impressionar, mas para acolher . Não surge como resposta pronta, mas como processo vivido , atravessado pela dor, pela fé, pela queda e pela reconstrução.      Neste livro, Jeverson Santana apresenta à comunidade cristã uma narrativa profundamente humana e espiritualmente honesta. A partir de sua própria história, o autor conduz o leitor por uma travessia que passa pela infância marcada por privações, pela busca de identidade, pelos conflitos afetivos, pelo matrimônio ferido, pela saúde emocional abalada e, sobretudo, pela perg...

E se Deus não fosse como nós O imaginamos? Livro: A Loucura do Amor.

  E se Deus não fosse como nós O imaginamos? Há livros que se propõem a explicar Deus. Outros, mais ousados, tentam defendê-Lo. A Loucura do Amor , no entanto, segue um caminho mais raro e necessário: não explica, não defende — convida . O leitor que se aproxima destas páginas não encontrará aqui um tratado acadêmico de teologia, nem um manual de respostas prontas para as grandes inquietações da fé. Encontrará, antes, um itinerário interior. Uma travessia. Um chamado silencioso para contemplar o mistério central do cristianismo: o amor radical de um Deus que escolheu fazer-Se humano. Desde as primeiras linhas, o autor nos desloca de uma imagem confortável e funcional de Deus — muitas vezes moldada por nossos medos, desejos de controle e necessidades imediatas — para nos colocar diante de um Deus desconcertante.  Um Deus que não se impõe pelo poder, mas Se oferece na fragilidade; que não domina pela força, mas espera no silêncio; que não salva à distância, mas entra na história...